1. FutInter

Roger Machado: O Espelho do Racismo no Futebol Brasileiro

Por Redação FutInter em 12/11/2024 16:42

Racismo no Futebol: Uma Realidade Incômoda

Roger Machado, técnico do Internacional e uma das principais vozes do futebol brasileiro na luta antirracista, voltou a levantar a questão do racismo no esporte e na sociedade após a vitória sobre o Fluminense.

A proximidade do Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, trouxe à tona a necessidade de discutir o tema com mais frequência, e não apenas às vésperas da data. Roger reconhece alguns avanços, mas considera-os pequenos, e destaca que o futebol é um reflexo da sociedade.

?Futebol cristaliza o que somos como sociedade?, afirma Roger, ressaltando a importância de um debate constante sobre o racismo.

O Espelho Social do Futebol

Roger utiliza a metáfora da pirâmide social para ilustrar como o futebol espelha a desigualdade racial no Brasil. ?Se a gente imaginar o futebol como uma pirâmide social, na base está o campo. Sejamos pretos ou brancos, quem olha de cima da pirâmide enxerga todos pretos. Ou somos pretos pela cor da pele, ou pela mesma origem social, em sua maioria esmagadora?, explica.

Para o técnico, o racismo se torna mais evidente quando a carreira do jogador chega ao fim. ?Para mim, o racismo se cristaliza quando o campo acaba e a gente consegue perceber indivíduos de diferentes cores ascenderem socialmente em diferentes velocidades. É quando os filtros começam. O ex-atleta branco consegue se esconder. Eu não consigo. A minha cor me denuncia?, reflete Roger.

A História da Escravidão e o Espelho do Futebol

Roger traça um paralelo entre a história da escravidão no Brasil e a realidade do futebol, destacando a Lei dos Sexagenários e a Lei Pelé. ?Um país que foi criado em cima de 400 anos de escravidão é impossível que a gente não traga vestígios dele até esse momento. Para quem não lembra, a legislação que regia minha carreira como jogador, que depois se transformou na Lei Pelé, era assim: eu era propriedade do clube. Se me comportasse bem, aos 28 anos começava a ganhar um percentual do meu passe e aos 35, mais ou menos, eu conseguia o livre arbítrio de escolher para onde eu queria ir?, explica.

?Na escravidão, existiu uma lei muito parecida, chamada Lei do Sexagenário. Aos 60 anos, o escravo conseguia sua liberdade. Porém, a expectativa de vida era de 40. Aos 35 anos, eu, como jogador de futebol, também já estava morto para o esporte. Novamente, o esporte repete o que nós somos como sociedade. É importante falar sim?, conclui Roger.

Roger Machado, com suas reflexões, nos convida a olhar para o futebol como um espelho da sociedade brasileira, expondo as profundas raízes do racismo e a necessidade urgente de mudanças.

Roger Machado é uma voz no futebol na luta contra o racismo ? Foto: Ricardo Duarte/Divulgação, Internacional

Roger Machado é uma voz no futebol na luta contra o racismo ? Foto: Ricardo Duarte/Divulgação, Internacional

? Ouça o podcast ge Inter ?

+ Assista: tudo sobre o Inter no ge e na TV

50 vídeos

SIGA NO google news

Curtiu esse post?

Participe e suba no rank de membros

Comentários:
Ranking Membros em destaque
Rank Nome pontos