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A Enchente, o Gre-Nal e a Esperança: Uma História de Superação e Recomeço
Por Redação FutInter em 17/10/2024 08:13
Gre-Nal: Um Símbolo de União Após a Tragédia
Adelar Marques, colorado de coração, e Maria Helena Gonçalves, gremista apaixonada, são dois gaúchos que carregam histórias de superação e esperança. Ambos, moradores de Porto Alegre, tiveram suas vidas impactadas pela enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em maio. Perderam casas, negócios, mas não a paixão pelo futebol e a fé no futuro.
Adelar, proprietário de um bar em frente ao Beira-Rio, viu seu negócio ser completamente destruído pelas águas. Maria Helena, professora aposentada, teve seu apartamento inundado e viu a Arena, sua "segunda casa", também devastada.
O Gre-Nal, que marca a volta da rivalidade ao Rio Grande do Sul após a tragédia, se torna um símbolo de união e esperança para ambos. Para Adelar, o clássico representa um recomeço, uma oportunidade de reencontrar a alegria e a paixão pelo esporte. Para Maria Helena, o jogo é um momento para celebrar a vida, a superação e a força do povo gaúcho.
Do Desespero à Esperança: As Histórias de Adelar e Maria Helena
Adelar, nascido em 1971, dois anos após a fundação do Beira-Rio, lembra com saudade da primeira vez que foi ao estádio, aos quatro anos. O amor pelo Inter só cresceu ao longo dos anos, e o bar, inaugurado em 2017, se tornou um ponto de encontro para os colorados.
Com a enchente, Adelar viu seu bar ser completamente destruído, perdendo tudo que havia construído. Mas, mesmo diante da perda, não se abateu. "Obrigado, meu Deus. Obrigado. Foi um momento de redenção. Não só para mim, mas também para um ambulante que fica na rua ali. Foi para todo mundo. Eu nunca pensei só na minha barriga, no bar. Nós aqui fortalecemos todos os bares", relatou o comerciante.
Maria Helena, por sua vez, lembra com tristeza da noite em que teve que deixar seu apartamento às pressas. "Fui escolhida, assim como um monte de gente, para testar a minha fé", disse ela. A professora viu a água subir sem aviso e, no caminho para a casa de familiares, presenciou cenas de desespero, como mães com crianças de colo na água e pessoas usando colchões como barcos.
O momento mais difícil, segundo Maria Helena, foi quando voltou para casa e encontrou o quarto decorado com as cores e itens do Grêmio revirado pela lama. "A minha tristeza triplicou. Triplicou porque, para mim, o Grêmio é a minha casa. É a minha segunda casa. Eu tenho uma história de amor com o Grêmio muito grande e a gente se entrelaçou mesmo no barro, na lama e na água?, definiu ela.
O Gre-Nal como Símbolo de Recomeço
O Gre-Nal, para além da rivalidade, se torna um símbolo de união e esperança para Adelar e Maria Helena. "É um Gre-Nal simbólico para ambos os lados. Depois de tudo que a gente passou, a gente tem que se unir, sabe? É um recomeço para todo mundo. Gre-Nal é tudo. Gre-Nal é vida", comemorou Adelar.
Maria Helena também acredita no poder do clássico para unir as pessoas. "Eu senti isso quando vi os jogadores dos dois times com as pessoas na garupa, jogadores com jet-ski, jogadores estendendo a mão para todo mundo, independentemente do time. Nós temos que aprender a viver e conviver respeitando as diferenças. Não é muito fácil, mas temos que fazer isso", refletiu a torcedora.
A história de Adelar e Maria Helena representa a força do povo gaúcho e a capacidade de superação frente às adversidades. O Gre-Nal, mais do que um jogo de futebol, se torna um marco de esperança e união, um símbolo do recomeço para todos aqueles que foram atingidos pela enchente.
Adelar e Maria Helena, assim como milhares de gaúchos, estão reconstruindo suas vidas, com fé e esperança no futuro. A enchente deixou marcas profundas, mas também mostrou a força da solidariedade e a importância de união em momentos difíceis.
O Gre-Nal, que será disputado no Beira-Rio, promete ser um momento de emoção e esperança para todos aqueles que foram afetados pela enchente. É um jogo que representa a superação, a união e a força do povo gaúcho.
O recomeço, para Adelar e Maria Helena, será marcado pela volta aos estádios, pela paixão pelo futebol e pela esperança de um futuro melhor. O Gre-Nal, para além da rivalidade, se torna um símbolo de união e esperança, um marco de reconstrução para todos aqueles que foram atingidos pela enchente.

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